Flamengo supera o Corinthians em São Paulo: análise de dados do confronto na Neo Química Arena
Vamos nos aprofundar nos dados desta partida tão peculiar em virtude da inversão de performance no intervalo
Introdução
O duelo entre Flamengo e Corinthians, disputado em 28 de setembro, na Neo Química Arena, terminou com vitória rubro-negra por 2 a 1. O resultado reforçou a liderança do clube carioca no Campeonato Brasileiro e adicionou novos elementos à avaliação do desempenho das duas equipes em contextos distintos da competição.
Apesar de o Corinthians ter demonstrado superioridade em alguns indicadores, sobretudo na primeira etapa, a capacidade de adaptação do Flamengo e a consistência coletiva no segundo tempo foram determinantes para a virada. A análise aprofundada das métricas — como xG, xT, load centrality e performance relativa ponderada — ajuda a compreender por que os números não se traduziram em pontos para a equipe paulista e como o time carioca manteve a trajetória vencedora.
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Contexto do Campeonato Brasileiro
O resultado obtido na capital paulista ampliou a diferença do Flamengo na liderança. Com 54 pontos e ainda um jogo a menos em relação a parte de seus concorrentes, o rubro-negro mantém-se como principal candidato ao título. Além da solidez nos resultados, a equipe apresenta consistência em jogos de alta exigência, característica fundamental em uma maratona de pontos corridos.
O Corinthians, por sua vez, ocupa a 13ª posição, apenas um ponto acima da zona de classificação para a Copa Sul-Americana e sete pontos acima da zona de rebaixamento. Essa posição intermediária não oferece margem de segurança. Cada rodada se transforma em oportunidade e risco: qualquer sequência negativa pode aproximar o clube das últimas colocações, enquanto vitórias consecutivas poderiam recolocar o time em disputa por vaga internacional. Nesse cenário, derrotas como a do fim de semana são especialmente custosas.
Estrutura do jogo: propostas distintas de controle
Passes no campo adversário e protagonismo ofensivo
Um dos indicadores que melhor ilustra a diferença entre as equipes é a porcentagem de passes no campo adversário. O Flamengo executa cerca de 48 % de seus passes em território rival, contra aproximadamente 38 % do Corinthians. Essa diferença revela intenções distintas: enquanto os cariocas buscam constantemente ocupar zonas ofensivas, os paulistas tendem a atuar de forma mais reativa, aguardando oportunidades de explorar espaços.
Em termos de xG Open Play por 100 passes a favor, as equipes apresentam média idêntica (0,18). Entretanto, no saldo dessa métrica, o Flamengo tem índice positivo (+0,05), enquanto o Corinthians aparece em patamar negativo (–0,05). A leitura reforça que, mesmo partindo de médias semelhantes, a conversão das posses ofensivas em oportunidades tende a ser mais favorável ao líder do campeonato.
Dispersão posicional e ocupação de espaços
No quesito dispersão posicional, as duas equipes apresentaram números próximos, tanto em profundidade quanto em amplitude. Isso demonstra que o jogo não foi decidido pela movimentação territorial em si, mas pela forma como cada equipe utilizou seus espaços e distribuiu responsabilidades ofensivas.
Essa distribuição se torna mais clara quando se observa a métrica de load centrality, que indica o peso de cada jogador no fluxo de passes. Enquanto o Corinthians concentrou em Matheus Bidu um valor máximo de 0,18, o Flamengo apresentou um pico de apenas 0,07, mais diluído entre diferentes jogadores. Em termos práticos, o Corinthians dependia fortemente de Bidu para organizar sua construção, ao passo que o Flamengo se apoiava em maior equilíbrio coletivo.
Performance relativa: impacto de cada equipe
A aplicação da métrica de performance relativa permite observar tendências além do resultado imediato. O Flamengo, nos últimos jogos, fez os adversários perderem em média 30,8 % de sua performance, enquanto o Corinthians limitou esse impacto a apenas 1,06 %.
Curiosamente, até o confronto, o Corinthians reduziu em 25,66 % a performance do Flamengo, ao passo que o rubro-negro permitiu ao time paulista atuar 27,16 % acima de sua média. Esses dados, quando analisados em conjunto, mostram um Corinthians que vinha proporcionando enfrentamentos equilibrados, mas que encontrava dificuldades para traduzir isso em resultados práticos. Já o Flamengo apresentava certa instabilidade recente, mas seguia com capacidade de impor quedas bruscas no desempenho de adversários de elite.
Indicadores ofensivos: xG, xT e presença na área
O domínio corintiano no primeiro tempo
Em termos de Gols Esperados (xG), o Corinthians foi superior no primeiro tempo, especialmente em função do pênalti convertido por Yuri Alberto. A equipe paulista também apresentou maior eficiência na relação entre xG e xGoT, explorando com mais precisão as finalizações criadas antes do intervalo.
No indicador de Expected Threat (xT), o Corinthians acumulou aproximadamente 0,6 na primeira etapa, contra 0,18 do Flamengo. A leitura dos números reforça a sensação visual da partida: até o intervalo, o Timão tinha maior clareza na criação de perigo.
A reação rubro-negra na segunda etapa
Após os ajustes realizados no vestiário, o Flamengo conseguiu inverter os números. O xT acumulado ao longo da partida mostrou vantagem para os visitantes, que alcançaram 1,0 contra 0,8 dos mandantes. Isso evidencia não apenas o aumento de produção ofensiva, mas também a capacidade de manter o adversário sob maior controle defensivo.
Outro indicador relevante foi o de toques na área adversária por 100 passes: o Flamengo alcançou 5,94, enquanto o Corinthians ficou em 4,16. Assim, mesmo em partida equilibrada, o rubro-negro conseguiu traduzir melhor suas posses em aproximações ao gol.
Ajustes estratégicos e impacto das substituições
Redução do protagonismo de Bidu
No primeiro tempo, Matheus Bidu foi o principal articulador corintiano, estabelecendo conexões com os jogadores de frente e contribuindo com a fluidez na construção. Essa dependência, contudo, se tornou previsível. No segundo tempo, o Flamengo reposicionou sua estrutura, bloqueando linhas de passe e reduzindo a efetividade do lateral.
Com menor liberdade, Bidu passou a se conectar mais lateralmente do que verticalmente, o que reduziu a capacidade de progressão do Corinthians.
Superioridade numérica no meio-campo
As substituições promovidas pelo Flamengo restabeleceram o equilíbrio numérico no setor de meio-campo. Este fato impediu que o Corinthians continuasse explorando as jogadas com a mesma eficiência. Além disso, a retomada da posse em zonas intermediárias possibilitou transições rápidas, fator determinante para a virada.
Aspectos defensivos e comportamento do goleiro
O comportamento do goleiro Hugo Souza também merece atenção. Sua dispersão posicional (ou seja, o quanto ele variou sua posição tanto na profundidade quanto na amplitude) foi superior à esperada, recebendo passes mais longos do que o padrão habitual. Esse detalhe indica ausência de marcação alta efetiva por parte do Flamengo na primeira etapa. Entretanto, a correção desse comportamento após o intervalo contribuiu para reduzir os riscos e aumentar o controle do rubro-negro no segundo tempo.
Interpretação geral e síntese do confronto
O Corinthians apresentou melhor desempenho em grande parte da primeira etapa e registrou números consistentes em indicadores ofensivos. No entanto, a dependência excessiva de um jogador para a articulação e a dificuldade em responder às mudanças estratégicas resultaram na queda de rendimento após o intervalo.
O Flamengo, por sua vez, apresentou maior equilíbrio, melhorou seus indicadores ofensivos e mostrou capacidade de transformar posse em presença efetiva dentro da área. A vitória por 2 a 1 sintetiza a diferença entre um time que dominou por momentos e outro que soube transformar ajustes em superioridade definitiva.
Implicações para a temporada
A vitória reforça a posição do Flamengo como favorito ao título. A equipe demonstra não apenas capacidade de liderar em pontuação, mas também de encontrar soluções táticas em jogos equilibrados, fator crucial em campeonatos longos.
O Corinthians, embora mostre evolução em métricas de desempenho, permanece em situação delicada. A equipe precisa traduzir indicadores positivos em pontos concretos, sob risco de se aproximar perigosamente da zona de rebaixamento.
Considerações finais
O confronto entre Flamengo e Corinthians ilustra como métricas avançadas contribuem para a compreensão do jogo além do resultado. O xG, o xT, a load centrality e a performance relativa ponderada revelam que, embora o Corinthians tenha tido momentos de superioridade, o Flamengo apresentou mais consistência coletiva, capacidade de adaptação e eficiência em momentos-chave.
Esse equilíbrio entre estatística e interpretação tática torna-se essencial para analisar partidas de alto nível, em que detalhes definem o resultado.
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